Quantcast
Dos subúrbios de Paris para academias e praças do mundo todo: conheça o parkour - Mundo News Web Interstitial Ad Example
8 de Agosto, 2022

Mundo News

Seu Mundo! Suas Notícias!

Dos subúrbios de Paris para academias e praças do mundo todo: conheça o parkour

5 min read
...

Muito provavelmente você já viu imagens desses “atletas urbanos” que saltam de prédios e ultrapassam todo o tipo de obstáculos do mobiliário urbano usando apenas o próprio corpo. Porém, talvez não saiba que o parkour, como ficou conhecida essa atividade física, nasceu na França e tem uma história familiar. Mais de quatro décadas depois, virou uma modalidade ligada à ginástica que reúne atletas do mundo inteiro em campeonatos disputados. O parkour vem crescendo no Brasil e ganha fama com vídeos e filmes assistidos por jovens na internet.

“Parkour nada mais é do que você usar o próprio corpo para ultrapassar os obstáculos de uma maneira rápida e fluida e que trabalha mente, corpo e conjunto”, explica à RFIGian Pomposelli, pioneiro e precursor da modalidade no Brasil. Ele veio à França para acompanhar o FISE 2022, a Copa do Mundo de Parkour, ligada à Federação Internacional de Ginástica (FIG). O evento reuniu 82 atletas, entre homens e mulheres de 21 países, em Montpellier, no Sul da França, entre os dias 27 e 29 de maio.

Para praticar, não precisa capacete, cotoveleira ou qualquer outro equipamento de proteção. Contudo, o parkour exige técnica e treinamento contínuo. O termo nasceu de uma adaptação da palavra parcours, em francês, que significa ‘percurso’ e vem do “parcours du combattant“, mais conhecido como a pista de obstáculos do pentatlo militar.

“Você percorre do ponto A ao ponto B ultrapassando os obstáculos, saltando da maneira mais confiável e fluida, ultrapassando os seus medos e os seus limites”, completa o empresário e dono da Voltz Parkour, que organiza um campeonato nacional no Rio de Janeiro, no mês de novembro. Ele conta que tem alunos de 5 a 70 anos.

“Quem não conhece, vê em filme, documentários e séries, algo mais ligado aos dublês. A gente trabalha com dublês para saltos mais arriscados, com colchão, mas tem toda a parte voltada à atividade física e a uma metodologia, em que você ensina à criança toda a parte cognitiva de subir, escalar, dar a primeira cambalhota, fazer um rolamento”, explica Pomposelli.

Origem nos subúrbios de Paris

O desportista francês David Belle é considerado o fundador do parkour. Ele se inspirou no método de treinamento de seu pai e mentor, Raymond Belle (1939-1999), que atuou como soldado das Forças Armadas francesas e no Corpo de Bombeiros de Paris. Até hoje, ele é lembrado por seus recordes em saltos, arremessos e subida em corda. Ao longo da carreira, Raymond Belle realizou resgates difíceis que lhe renderam diversas honrarias e medalhas.

“Ele ultrapassava os obstáculos na floresta para resgatar sobreviventes. Depois, o filho dele, que já era um ginasta e trabalhava com artes marciais, pegou a técnica do pai e criou o parkour. Ele tirou o C e colocou um K e levou para as ruas, em Lisses, no subúrbio de Paris, e começou a utilizar para ultrapassar obstáculos”, explica Gian Pomposelli.

O fenômeno eclodiu no final dos anos 1990, quando a mídia começou se interessar pela modalidade, levando a prática para as telas do cinema em filmes como “B-13”, “13º Distrito”, “B-13 Ultimato” (2004); “Yamakasi – os samurais dos tempos modernos” (2000) e “Yamakasi – os filhos do vento” (2003). Com o advento da internet e a explosão digital, o parkour se espalha pelo mundo todo. Contudo, a essência e o objetivo continuam os mesmos: encurtar caminhos, facilitando trajetos e superando medos e limites.

Hoje em dia, o parkour tem as modalidades de freestyle (com acrobacias) e speed (velocidade). Os jurados dão notas para agilidade, dificuldade e fluidez dos movimentos. “Os atletas que já têm uma certa consciência corporal entendem que não são super-heróis. Mas a partir do momento que você chega a um determinado nível técnico, você pensa que não há nada que não consiga fazer”, destaca Pomposelli.

Ainda pouco conhecido do grande público, a expectativa é de que parkour possa se tornar uma modalidade olímpica. “Como lá em Los Angeles ele é muito forte e tem muitas academias de parkour, em 2028 parece que vai se tornar olímpico, assim como nessa última Olimpíada aconteceu com o skate”, conclui. A decisão final cabe ao Comitê Olímpico Internacional (COI).

“Medo faz parte”

Embora seja uma atividade altamente técnica, não são raros os acidentes relacionados à prática do parkour, especialmente devido a fatores como superexposição pelas mídias sociais e um número crescente de praticantes que não seguem os preceitos básicos. Nas palavras de seu fundador David Belle, “o excesso mata” e “você precisar usar, e não abusar”.

“Parkour é uma atividade que todo mundo pode fazer e quanto menos barreira você tiver na sua mente, melhor. O parkour não é um esporte radical”, define Gustavo D’Artagnan, praticante do Rio de Janeiro. “É muito mais sobre você se desenvolver e ir se conhecendo nos seus processos do que fazer coisas absurdas e impressionantes. Essas coisas que a gente acaba fazendo nos vídeos é consequência de muito treino, de muita prática”, explica. “Quando a gente quer experimentar algo novo, acaba fazendo uma ou outra vez um salto mais arriscado, mas, na prática, tem muito treino envolvido”, diz em entrevista à RFI Brasil.

Há poucas semanas, o atleta realizou um dos saltos mais conhecidos do parkour entre dois edifícios de Ivry, no subúrbio de Paris.

“Medo? A gente tem que ter medo. Acho que falo por todos os praticantes. A gente tem medo, mas treina muito e confia na nossa técnica, na nossa força e no treino”, resume.

Não existe um levantamento de quantos praticantes existem no Brasil. “A gente tem uma comunidade muito grande. Mas existe um cenário precário de academias e espaços, porque o Brasil, em si, não tem um incentivo muito grande ao esporte”, lamenta D’Artagnan.

Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/dos-sub%C3%BArbios-paris-para-academias-122520465.html

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Copyright © All rights reserved. | Newsphere by AF themes.