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24 de Junho, 2021

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Flexibilizar uso de máscaras é fumaça da fritura de Queiroga

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Brazil's President Jair Bolsonaro greets his Health Minister Marcelo Queiroga during a ceremony at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, May 26, 2021. REUTERS/Ueslei Marcelino

Jair Bolsonaro com seu (ainda) ministro Marcelo Queiroga. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

No Brasil, quando algo extraordinário acontece três vezes, costuma-se dizer que o autor da façanha tem direito a pedir música no “Fantástico”. É uma referência ao conhecido quadro do semanário da TV Globo que dava a benesse a quem marcasse três gols em uma mesma partida.

Quando Nelson Teich bambeou, menos de um mês após substituir o fritado Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde, corria à boca pequena a brincadeira de que, conseguisse emplacar três ministros em dois meses de pandemia, Jair Bolsonaro poderia pedir gol no “Fantástico”.

A referência caducou já faz tempo. Bolsonaro já nomeou até aqui quatro ministros da Saúde e segue contando.

A cabeça de Marcelo Queiroga pode em breve enfeitar a prateleira de ministros degolados pelo presidente. Dos três anteriores, apenas o general Eduardo Pazuello deixou o posto a contragosto do chefe. O segredo do sucesso foi se submeter à humilhação com obediência militar. Um manda, outro obedece, como ele mesmo desenhou diante das câmeras em um sorriso amarelo ao lado do capitão.

Os antecessores pediram o boné quando viram que Bolsonaro era o verdadeiro ministro da Saúde. Mandetta foi ignorado quando avisou que, se nada fosse feito, o país chegaria a quase 200 mil mortos ainda em 2020. Ele esbarrou no murro do aconselhamento paralelo, formado por terraplanistas sanitários de todo tipo e prestes a ser descortinado pela CPI da Pandemia.

Teich foi desmoralizado em uma coletiva, quando soube por meio da imprensa que o presidente havia ampliado a lista de serviços essenciais que na quarentena poderiam reabrir normalmente, como se nada estivesse acontecendo. Deixou o posto para não sujar o diploma com sangue.

Pazuello, obediente, não cairia se dependesse do chefe. Caiu por pressão popular depois que, sob sua gestão, o número de mortos saltou de 15,8 mil para 280 mil. “Missão cumprida”, disse ele, sem titubear, ao responder na CPI por que foi demitido.

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Desde o início dos trabalhos, a comissão do Senado já ouviu duas vezes o atual ministro, Marcelo Queiroga. Na última vez, ele tentou mostrar mais firmeza, mas abriu flancos. Admitiu, por exemplo, que era grave chegar a essa altura da crise provocada por uma doença infecto-contagiosa sem um único infectologista na equipe.

O que se viu na CPI foi um ministro emparedado entre o dever de ofício e a obediência ao capitão, aquele que informalmente proíbe seus subordinados de usarem máscara na sua presença —como se o uso da proteção indicasse uma virilidade bamba.

Queiroga tentou, mas não conseguiu mostrar alinhamento total à cartilha bolsonarista. Um pecado mortal a quem a professa. 

Pior. A certa altura, disse não que não era o “censor” do presidente que insiste em tratamento precoce (sem eficácia comprovada), provoca aglomerações e desestimula o uso da máscara.

Deixava transparecer assim que recriminava a postura, mas não podia fazer nada para impedir o trem descarrilhado. O ministro de fato, afinal, é o presidente, que aparentemente se graduou em medicina das redes sociais e só ouve o que convém. 

Ele esperava que o subordinado, diante da CPI, dissesse que o chefe tem mais é que avacalhar porque é seu direito divino. Um manda, outro obedece. E endossa. Queiroga, preso ao meio-fio entre a ciência e a avacalhação, não endossou.

Pouco depois, recebeu do presidente uma cabeça de cavalo degolado em sua cama (feat. Dom Vito Corleone).

Em um evento realizado no dia em que o país superou a marca de 480 mil mortos por Covid-19, Bolsonaro afirmou que “um tal de Queiroga” —citado assim, em tom de deboche— está orientado a escrever um parecer desobrigando o uso de máscara por quem está vacinado ou já foi contaminado —uma decisão ao arrepio do que pregam os especialistas. Ou seja: quer que o ministro negue por escrito o que jurou à CPI.

Há quem veja na fala do presidente uma cortina de fumaça no momento em que a CPI avança sobre as peças mais importantes do tabuleiro, com a quebra de sigilo de dez pessoas do entorno do presidente. Entre eles o auditor do TCU que acordou num belo dia e enxertou em um relatório números estapafúrdios sobre mortes por Covid.

Além dele, serão alvo da devassa empresários, secretários, ex-secretários, operadores do chamado “gabinete das sombras” e os ex-ministros Ernesto Araújo e Eduardo Pazuello. Este último, sabe-se agora, produziu uma das cenas mais constrangedoras desde a posse de Bolsonaro ao oferecer à Organização Mundial da Saúde o “compartilhamento de protocolo desenvolvido no Brasil para tratamento precoce da doença”. A oferta foi prontamente negada. Era mais ou menos como a dupla de zaga dos 7 a 1 oferecer uma oficina de ferrolho defensivo para Maldini e Baresi.

Intencional ou não, a fumaça bolsonarista sobre o relaxamento do uso de máscara está lançada. Só que a porção de vapor pode ser de um corpo em chamas fritado em óleo fervente. Mais um.

Bolsonaro poderá em breve pedir duas músicas no “Fantástico”

Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/bolsonaro-flexibilizacao-uso-mascaras-marcelo-queiroga-fritura-122756295.html

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